Estava procurando informação na internet sobre brasileiros que vivem na Europa e aconteceu de entrar quase sem querer na página de um colunista(bastante lúcido) que comenta um texto enviado pela internet chamado "Tenho orgulho de ser brasileiro" Eu havia recebido esse tal texto há algum tempo atrás e na época me senti um pouco incomodada.... mas nao dei muita atenção.
Acontece que eu estou meio irritada depois de ter lido num forum da Tv Globo, umas mensagens de uma brasileira que mora na Noruega e de tal forma que acabei escrevendo para a redacao do jornal onde ela publicou a " A tortura que é viver na Noruega" e escrevi abertamente a redação, qual e a minha opinião. Ela inclusive critica duramante de forma até pejorativa o fato do povo escandinavo ser um povo independente e auto-suficiente. O que ela classifica como arrogante e mesquinho!! A nao ser que competência e consciência agora mudou de nome.
Eu tenho realmente orgulho de ser brasileira, mas isso nao me deixa cega para as muitas incoerencias que o povo brasileiro vive. Quando estão no Brasil proclamam que tudo é uma merda, estão descontentes com as injusticas sociais, roubalheiras e tudo mais, mas tão logo se mudam de hemisfério, o Brasil passa a ser perfeito e a nova morada é uma merda sem fim. Nao dá pra aceitar calada essa falta de objetividade. Claro que não existe o paraiso, mas será que as pessoas perdem o senso de julgamento só porque carimbaram o passaporte? Eu sou brasileira e vivo há 3 anos na Suécia e nao gosto de ser classificada de brasileira ou sueca... eu sou apenas uma cidadã do mundo que nasceu no Brasil. Pronto chega! Chega de ficar colocando rótulos nas pessoas.
Tem coisas que foram ate difíceis de me acostumar nessa nova cultura, como o clima, lingua, hábitos, mas posso dizer com toda certeza do mundo que essas coisas foram muito mais fáceis de me adaptar do que me acostumar em 40 anos de vida no Brasil, à violência, corrupção e à falta de coerência do brasileiro. E como se derrepente, depois de ultrapassar a fronteira, cruzar mares, o Brasil virou o paraiso perdido. Não é, nunca foi e nunca será, assim como nenhum lugar do mundo. Mas o que o brasileiro precisa é ter coragem e humildade para ver e aprender com as coisas que funcionam muito bem nos outros luagres e tentar talvez adaptar ao sistema brasileiro. Deveriam tomar consciência que enquanto eleitores aceitarem trocar seu voto por uma camiseta ou dentadura, aceitar que nao faz mal beber e sair dirigirindo e querer manter à qq custo a cultura do "jeitinho brasileiro" pra bular a lei, a gente nao vai sair dessa condição de terceiro mundo. E nao vai ter patriotismo que resolva isso, nem com todos os Lulas e Fernando Henriques da vida e quantos mais vierem.
O que eu acabo notando e que no Brasil as pessoas tem a idéia de que a Europa (ou qualquer continente) é tudo perfeito ou tudo errado. (Será que tem sempre que haver extremos?) e aqui muitos acreditam que o Brasil é terra do samba, futebol, bunda e miséria. Será que não são os próprios brasileiros que estão passando essa informacao deturpada?
Eu mesma nunca senti o menor preconceito, pelo menos nada que tenha me deixado chateada. Mas ja vivi situações hilárias por falta de informações corretas sobre o nosso Brasil. (Isso eu conto em outra ocasião)
E ainda eu obtive aqui apoio que muitas vezes nao encontrei na minha terra.
.... só queria mesmo desabafar um pouco...amanha estou melhor...
Como o ser humano tem o potencial para ativar os neurônios para pensar em mil coisas maléficas ao mesmo tempo! Aliás isso me faz lembrar Cacilda Becker ” …não posso ouvir uma sirene de ambulância e já estou certa que aconteceu alguma coisa com meu filho!…” bicho-mãe é assim mesmo, um poço de senso trágico, já notaram?… e inesgotável. Tá lá o pimpolho feliz, crescendo, tentando, caindo e lá vem o bicho-mãe: Tem certeza que ta fazendo certo? Eu te avisei, né… Ah... desse jeito não dá! Ta se reconhecendo no quadro? Pois é ..essa sou eu e mais um montão de outras bicho-mães inseridas nesse contexto. Juro, tô tentando controlar essa sindrome da ansiedade e super proteção. Não ligou? Nem um e-mail de manhã, desses curtinhos mesmo? nem mesmo uma uma msg de icq!? É de arrancar os cabelos... vai ver estão doentes e não conseguem nem caminhar pra perto do computador...devem estar com febre e se for pior ... eu tô aqui longe...ai!! vou ligar pra companhia aérea acho que dá tempo de chegar e fazer um chá de limão com aspirina antes que piorem ...coisa louca..e besta...ffice
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Na verdade a gente só quer protege-los dos erros que nós mesmos ja cometemos um dia. Conversa fiada!! É a sindrome atacando de novo travestida pra não ser reconhecida…a safada..pega a gente de novo e de novo. Mas ..foi assim que a gente aprendeu, né…bem, eu não segui a maioria das orientações de minha mãe…é… até que me dei bem! Eu acho até que eles seguem melhor do que eu fiz…mas vou confessar uma coisa…EU TENHO UM BRUTA ORGULHO DAS MINHAS CRIAS! Um desses orgulhos grandões que enchem a carteira de fotos pra mostrar até na fila do caixa de banco e só não pendura um outdoor na rua com a foto deles pq é caro…heheheh... verdade…nem importa se nao saiu como eu sonhava, mas ainda acho ate que saiu melhor que a encomenda…
Por que estou escrevendo isso tudo? saudades, acho…falta de deitar na cama com eles e comer pipoca, ver o fantástico na tv…falar mal da vizinha…criticar o corpão da loira do reclame, gritar pra tirar a toalha molhada da cama, não bate a porta, saco!
..…sigh…sigh…vou telefonar..vou sim…tô indo…
Vou confessar uma coisa: Eu não sabia o que era um blog! Pronto falei…e nem doeu tanto assim a confissão.Mas me espantou pq eu sou quase um rato de internet..mexo, fuço, sou atrevida e curiosa…mas nao sabia disso! Ou até que um dia meu filho me passou um blog que ele costuma ler e eu achei a ideia interessante porque desde pequena (ainda não sou grande) eu adoro escrever e ler…leio até bula de remédio e anuncios funerários. Uma vez, quando eu fiz a minha primeira homepage, eu inseri meus textos e gostei da idéia. Mas depois isso ficou adormecido e eu me mudei para a Suécia e tive que aprender a lingua ficou mais difícil me expressar. Não dá, gente! As minhas emoções e sentidos nasceram, foram cultivadas e expressas na lingua portuguesa. Agora ficou legal! Vou poder escrever um ’cadinho em portugues, contar abobrinhas e se eu quiser ponho no ar ou deleto ou refaço. Essa tecla facilita a vida, né? Pena que a gente nao pode usar pra tudo na vida. Já pensou? eu iria deletar um monte de gente besta da face do planeta e iria fazer download de umas outras tantas que estão em falta...
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”Você fala demais!” Ouvi esse argumento incontáveis vezes na vida. Eu falo demais! Credo como eu falo…falo sozinha, falo com os outros, falo quase o tempo todo. Eu explico: falo muito com o eu e falo alto. É divertido falar comigo mesma. Na maioria das vezes o meu eu e o eu mesma discutem, saem às turras e nem adianta mandar calar a boca e sair da sala, bater a porta...eu vou atrás falando. Coisa insistente e chata! A única maneira de parar a briga é chegar um outro que tb fala e põe fim à coisa.
Uma vez eu resolvi fazer um curso ” Falar em público“ Fui, fiz, mas com a condição imposta pelos meus filhos: depois desse vc vai fazer um pra aprender a calar a boca, Certo?
Pode?
Mas eu admito gosto de gente que fala pouco. Aliás gosto dos seres que não falam nada...bichos e plantas. Tudo que cresce, nada, voa, anda de quatro. Com plantas nao me entendo muito bem, não sou boa pra cuidar delas, morrem de sede ou afogadas. Mas bichos? Ah! esses sim eu gosto... de tudo! menos barata. bleah!!! Nossa, agora me deu um nojo!! e pensar que elas sobreviveriam à um ataque nuclear...ainda bem que eu não! Dividir espaço com uma (ou dezenas) é impensável! Eu ou a barata, Vc escolhe! A coisa melhor de viver na Suécia? não existem baratas! Elas não suportam o frio hihihihi
Eu não sei se eu sou desparafusada da cabeça ou então eu tenho uma capacidade elástica de me acostumar com situações novas. Gosto mais da segunda opção. Se eu tentar traçar os meus caminhos vou descobrir que nunca foram congruentes ou lineares, pelo menos não no que diz respeito a previsão. Eu sempre vivi no Brasil em cidades que, para o padrão europeu, são cidades grandes. Mas cresci brincando de bola queimada, soldado e ladrão, mula-sem-cabeça, conhecia cada galho das mangueiras e jaboticabeiras dos quintais da rua, soltei milhares de pipas, medo eu só tinha do saci pererê. A viagem mais longa que eu tinha feito até ter 18 anos foi passar as férias na praia na casa dos primos. Até os 15 anos eu tive os meus cabelos num lindo tom verde-cloro sem ajuda de tinturas, graças apenas às 8 horas diárias na piscina do clube local. Computadores eram coisa de filme de ficção científica, telefone era uma coisa que a gente sabia que existia, mas não dava a mínima, e o nosso pelo menos era uma peça enorme preta e ficava bonitinho em cima da toalhinha branca de crochê, na sala e que quando tocava eu sempre confundia com a sirene dos bombeiros.ffice
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A gente não usava mesmo! Tudo era feito na base do ir lá e bater na porta e pedir pra conversar.
Veja lá: eu cresci assim; solta e feliz, morei em casas bonitas e feias, ruas tranquilas, montanhas de amigos e duas irmãs pra brigar, viajei pelo Brasil quase todo sempre à trabalho ( pq a situação econômica não me deixava outra opção) até que me mudei pra terra do papai noel.
No primeiro dia na “casa nova” me peguei pensando em que apenas algumas horas antes eu estava dirigindo no meio de um tráfico enlouquecedor da marginal e algumas horas mais tarde do outro lado do planeta os meus vizinhos mais proximos eram bambis nos campos.
Foi estranho dormir sem ruídos. Achei que tivesse ficado surda.
Foi aí que eu descobri que essa capacidade elástica de adaptação me facilita a vida. Acho até que eu que eu tenho o Dr Jekyll & Hide vivendo harmoniosamente dentro de mim. Alto lá! Isso só uma analogia , só se aplica à essa minha condição, digamos de fácil adaptação e transformação. Eu posso estar num shopping center de salto alto e cabelo arrumado e algumas horas depois estar no meio de florestas catando cogumelos calçando botas de borracha, sem a menor necessidade de ter que me “preparar” emocionalmente para isso. Apenas sou assim. Se é que deu pra entender.
Até hoje quando eu converso com alguma pessoas que encontro pela primeira vez, vem logo a clássica pergunta: Mas como é que vc se acostumou a viver aqui? É simples! Eu não penso muito nisso. Você não sente falta? Claro que eu sinto muita falta, mas dos meus que ficaram lá, sinto falta de coisas e cheiros, de lembranças e sorrisos e essas coisas eu ainda tenho guardada comigo na memória, então pra pra ir levando. Tô aqui e pronto, amanha não sei, pode ser que eu ache interessante morar no Tibete ou em Tóquio. Vai depender apenas do acaso.
Hoje por exemplo, vou almoçar com meus futuros empregadores, de calça nova e cabelo arrumado, amanhâ vamos para a casa-alugada-de-campo e a camiseta mais nova que eu vou levar tem dois buracos. Um grande debaixo do braço e um outro no ombro, mas eu nunca ouvi um bambi reclamar da minha aparência e lá antes de ir dormir só vou lavar o pé,certo?
Ontem tive uma surpresa tão gostosa! Tava aqui com os olhos doendo e revirando depois de horas no computador e então toca o telefone. Era a Ines! Que gracinha!
A gente se "encontrou" por acaso depois de eu ter caído sem querer na página dela. Fiz contato e começamos a nos corresponder. Ela também é brasileira e vive aqui, não tão distante de onde eu moro. E ainda temos um montão de coincidências nas nossas vidas. Adorei falar com ela. Inteligente e sensível. Senti empatia com ela de imediato.
Valeu!
Calça nova, cabelo arrumado e lá fui eu ontem, almoçar com meus futuros chefes! …e ele chegou de bermuda e bicicleta velha com a placa amarrada com arame!? Pode? prá quem estava esperando alguém chegar de Mercedes? ..e ainda chegou se desculpando pq tinha se atrasado alguns minutos porque estava tosando a ovelha dele e se esqueceu do tempo…. Achei bárbaro! Um dia ainda vou aprender a ser assim!ffice
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Adorei! Que delícia vai ser poder trabalhar com gente-que-a-gente-gosta e tem empatia. Gente de cabeça aberta e sensibilidade enorme. Pena que eu só começo em agosto. Queria já... ontem mesmo. Mas me deixaram a possibilidade de ir prá xeretar desde já…aproveitei a deixa e já fiquei por lá umas 4 horas… E ainda ganhei de presente um livro de arte lindo que descreve todo o ideal desse projeto e a vida de todos que ja fizeram e dos que hoje fazem parte dessa sociedade.
Acho que eu não havia comentado isso ainda, mas é uma especie de galeria de arte muito antiga da cidade, iniciada por uma escultora e pintora em 1922 Maja Fjaestad e que sobrevive até hoje; não a artista, mas a galeria. Graças à dedicação de artistas locais, a sociedade continuou e hoje é um espaço aberto à artistas locais e regionais para expor à venda sua arte. De ceramistas à artistas têxteis, tem de tudo um pouco. Dá vontade de entrar e comprar tudo se o limite do cartão permitisse ou o banco fosse bonzinho. O ambiente é acolhedor e eu vou ter a liberdade de trabalhar tb com a decoração da loja , vitrines e exposição das peças. Adorei!
O salário dá pra sobreviver, mas a oportunidade de estar em contato com arte e sensibilidade me fascina e já compensa. Sei que vou aprender muito lá. E ainda vou ter tempo, já que não é emprego de periodo integral, de me dedicar ao meu projeto pro futuro( esse eu ainda não vou contar…)
E teve uma coisa que me encantou: Como os suecos bebem café que é uma loucura, (brasileiro perde de longe), é de praxe ter a cafeteira e as xicaras em todo e qq lugar de trabalho. Pois então, como não poderia ser diferente, lá também. Mas com a diferença que todos que trabalham recebem como presente de boas vindas, o direito de escolher uma xícara exclusiva feita em cerâmica e assinada por um dos muitos artistas. Essa peça passa a ser “sua” e só vc usa. Já escolhi a minha! Ela é em tons azuis e terracotta e tem um monte de galinhas pintadas à mão. E grandona, dá pra tomar leite quentinho e chocolate no inverno. Não é chique demais? Depois eu vou fotografa-la e vcs vão ver se eu não tenho razão! Essa outra é só pra ilustrar.
Bom, acho que era isso..não vejo a hora de dar a largada e começa beber café na minha galinhona!